Estávamos a planear um fim-de-semana prolongado para Junho e queríamos ir para um sítio com praia. Depois de analisarmos várias opções, escolhemos ficar em Portugal e conhecer mais uma vila que tinha tudo o que procurávamos: a Nazaré.

Reservámos um pequeno apartamento no meio do casario, bem no centro histórico da Nazaré. Era perfeito, a 5 minutos da praia e ideal para abandonar o carro durante aqueles dias de descanso.

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Um passeio à beira mar para aguçar o apetite

Embora tenhamos chegado já ao fim do dia, ainda tivemos oportunidade de dar um passeio à beira-mar e começar a planear o que queríamos fazer nos 3 dias seguintes. Da marginal vimos algumas capelas, cujas fachadas de azulejo chamavam a atenção entre as tradicionais casinhas brancas, e lá no alto o famoso Sítio.

Explorámos uma pequena exposição de embarcações que estão na praia e que nos contam histórias e tradições, como a da arte xávega ou de salvamentos de tripulações de submarinos na 2ª Guerra Mundial.

Coleção de embarcações na praia da Nazaré
Exposição de embarcações na praia da Nazaré

As embarcações fazem parte da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso, que acabámos por não ter oportunidade de visitar. Ali perto vislumbrámos também umas estruturas usadas para secar peixe – viríamos mais tarde a perceber melhor o que isto era.

E ainda tivemos oportunidade de comprar nougat e milho frito a uma das simpáticas nazarenas, com as suas saias e aventais característicos, que têm banquinhas junto à praia. São o exemplo da reconversão de muitas peixeiras, que agora vendem gulodices ou alugam quartos a turistas.

A subida ao Sítio

Depois de uma manhã preguiçosa, e estando o tempo demasiado nublado para ir à praia, decidirmos começar por explorar o Sítio. Perdemo-nos pelas várias ruelas enquanto íamos na direção do grande penhasco, até descobrirmos onde se apanha o ascensor, já centenário.

Ascensor da Nazaré
Ascensor da Nazaré

Comprámos bilhete de ida e volta (2,95€ por pessoa) e lá fomos, colina acima. Para os mais arrojados, é possível subir e descer a pé, por umas escadas que existem mais para oeste ao longo da encosta.

Chegando lá acima, fizemos um percurso pela extremidade do penhasco, de onde se tem vistas fantásticas para a Nazaré e para o imenso oceano que se estende à frente da vila.

Vista a partir do Sítio
Vista a partir do Sítio
A lenda da Nazaré

Continuámos a caminhar, até que avistámos a Ermida da Memória, totalmente revestida de azulejo (até o telhado!). Na parte de baixo desta capelinha existe um nicho que lembra uma gruta, onde está uma estátua da Virgem Maria com o Menino Jesus.

Ermida da Memória no Sítio
Ermida da Memória, no Sítio

Conta a lenda que, no século XII, num dia de nevoeiro, esta imagem da Virgem Maria salvou D. Fuas Roupinho, não deixando que este caísse com o seu cavalo da falésia abaixo, quando estava a perseguir um veado. 

Foi no Bico do Milagre/ Miradouro do Suberco que tudo aconteceu, na ponta mais proeminente do perigoso penhasco. D. Fuas mandou então contruir a Ermida, sendo aqui venerada a imagem milagrosa da Virgem.

O Forte de S. Miguel e as ondas gigantes da Praia do Norte

Decidimos continuar a caminhar até ao Forte de S. Miguel Arcanjo. Pelo caminho encontrámos a polémica escultura de um surfista com cabeça de veado, que procura ser uma homenagem à onda gigante e uma referência ao veado da lenda da Nazaré.

Escultura de surfista com cabeça de veado na Nazaré

Acabámos de descer até ao Forte e, depois de pagar 1€ para entrar neste monumento quinhentista, encontrámos várias exposições interessantes. Aqui percebemos melhor em que consiste o canhão da Nazaré e como é que a topografia subaquática origina as famosas ondas gigantes da Praia do Norte – praia esta que se avista muito bem a partir do Forte.

Forte de S. Miguel Arcanjo
Forte de S. Miguel Arcanjo

No dia da nossa visita o mar estava calmo, por isso foi ótimo poder ver em exposição algumas fotografias daquelas ondas fantásticas a ser surfadas. A parte da exposição dedicada a pranchas de surf e bodyboard também nos ajudou a perceber o fascínio e medo que aquelas ondas provocam a quem tem coragem de as enfrentar.

Entre as várias pranchas doadas há, claro, uma de Garrett McNamara, o primeiro a bater o recorde do Guiness para a maior onda do mundo surfada, na Nazaré. Para quem quer ver as ondas gigantes, tal é possível no Inverno, principalmente em janeiro.

Sobre as grossas paredes do Forte encontrámos várias obras de arte. Entre elas umas gaivotas muito originais que contemplam o horizonte. Foram feitas em cerâmica por Mário Reis, o mesmo ceramista que criou os curiosos painéis de azulejos que se encontram nas duas estações do ascensor.

Gaivotas de cerâmica criadas pelo ceramista Mário Reis
Gaivotas de cerâmica da autoria de Mário Reis

Sempre de olhos postos na Praia do Norte, regressámos ao centro do Sítio, onde visitámos o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. No interior do Santuário descobrimos um painel de azulejos onde se pode ver D. Fuas montado no seu cavalo, quase a cair do penhasco.

Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
De regresso ao “andar de baixo” da Nazaré

Apanhámos o ascensor, e lá fomos nós colina abaixo. O tempo começou a aquecer, pelo que terminámos o dia em beleza: fomos lambuzar-nos com um mega crepe e uma mega waffle à Gelatomania. Seguiu-se uma relaxante pausa na praia, ali mesmo ao lado. E foi com agrado que percebemos que a praia está dotada de uma boa infraestrutura para pessoas com mobilidade reduzida.

Ainda pusemos o dedinho na água, que descobrimos que é gelada. À noitinha decidimos ir jantar ao “Vicente”, um restaurante onde nos tinham recomendado comer o “Terra e Mar”. No entanto acabámos por comer um delicioso arroz de tamboril.

A azáfama do Mercado ao Museu do Peixe Seco

Na manhã seguinte decidimos ir conhecer o Mercado Municipal da Nazaré. Passeámos pelas bancas coloridas e comprámos amêijoas, para o nosso almoço. Aproveitámos para comprar também algum peixe seco na banca da Maria da Nazaré. A sua família já seca peixe de 1928.

Mercado Municipal da Nazaré
Mercado Municipal da Nazaré

Aqui descobrimos que o peixe seco se pode comer apenas cortado aos pedaços com azeite e alho (sal ele já tem), ou então cozido, estufado, como se quiser.

Uma boa parte deste dia acabaria por ser dedicada a descobrir mais sobre esta prática tradicional de secar o peixe.

Depois de almoçarmos, à gulosos, um tachão de amêijoas à Bolhão Pato, visitámos na antiga Lota o Centro Interpretativo do Museu do Peixe Seco, junto à praia.

Para além de informação, imagens e objetos ligados a esta prática, estava também patente uma exposição muito interessante sobre os aventais da Nazaré, um elemento muito importante do traje tradicional das nazarenas.

Mesmo em frente a este edifício, na praia, voltámos a encontrar as estruturas para secar o peixe que tínhamos visto no primeiro dia, e que descobrimos ser o Museu (vivo) do Peixe Seco.

Museu (vivo) do Peixe Seco
Museu (vivo) do Peixe Seco

É já muito antiga a tradição de secar peixe na Nazaré. O peixe, já amanhado e depois de passar por uma salmoura, é estendido nos paneiros, os grandes retângulos de madeira que se vêm na praia.

Há carapaus, sardinhas, fanecas, robalos, e até polvo e raia. Depois de seco, este peixe é uma iguaria, podemos confirmá-lo! É uma tradição que a Nazaré está a tentar manter viva, com o empenho de muitos nazarenos.

Depois de aproveitamos um pouco mais à praia, fomos espreitar as duas capelas junto à marginal: a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e a Capela de Santo António. Nesta última estavam a preparar as flores dos andores para a procissão de Santo António.

Capela de Santo António
Capela de Santo António
Uma surpresa junto à praia

No último dia decidimos ir uma última vez à praia antes de fazer as malas. Lá fomos ruela estreita abaixo. Qual não foi o nosso espanto quando nos deparámos, na marginal, com a procissão de Santo António.

Nem queríamos acreditar! Vimos tudo: as nazarenas com os seus bonitos aventais e 7 saias, crianças a transportar enchidos, pão, coelhos e carneirinhos (vivos), e por aí fora. É interessante como nesta procissão conseguimos ver tantos dos traços da cultura nazarena.

Procissão de Santo António
Procissão de Santo António

Satisfeitos com esta surpresa de última hora, preparámo-nos para ir embora. Mas antes de rumarmos ao Norte, ainda quisemos explorar mais alguns locais.

Pelos miradouros onde se avista a Nazaré

Já de carro, fomos ao Jardim da Pedralva, numa zona mais alta da vila. No topo desse jardim, por um acesso de escadas mal cuidado, chegámos ao Miradouro do Monte Branco. Daqui tem-se uma bela vista de cima para o branco casario da Nazaré.

Miradouro do Monte Branco
Miradouro do Monte Branco

Ainda fomos tentar espreitar a Ermida de Nossa Senhora dos Anjos, ali próxima do jardim, mas estava fechada. No entanto descobrimos que por trás da Ermida também se tem uma boa vista sobre a Nazaré.

Mais uns minutinhos de carro e chegámos àquele que descobrimos ter sido o destino da procissão: a Igreja Matriz . Depois de espreitar o interior da igreja, onde estavam todos os andores e restantes acessórios, continuámos a caminhar até encontrar o Miradouro da Pederneira

Apesar de se ter uma boa perspetiva da vila, daqui vêem-se alguns prédios mais recentes, pelo que a vista não pareceu tão bonita. Ali mesmo ao lado ainda entrámos na Igreja da Misericórdia da Pederneira, junto à qual está o cemitério da Nazaré.

Pegámos no carro e dirigimo-nos para a nossa última paragem, a cerca de 20 minutos dali. Muito perto de S. Martinho do Porto formos descobrir o Miradouro do Salgado. Apesar de não estar sinalizado, com o GPS chega-se lá facilmente. Mesmo abaixo do miradouro está a praia com o mesmo nome.

Miradouro do Salgado
Miradouro do Salgado

A vista dali é linda. Vê-se o casario da Nazaré ao longe, o areal todo que se estende até lá, o Forte no alto do penhasco, a Praia do Norte e mais areal para além dela. E aquele mar, azul e enorme. Valeu a pena o desvio!

O que fica para uma próxima visita

Para uma próxima visita à Nazaré, no Inverno, ficaram as famosas ondas gigantes e a Gruta do Forno de Orca, um buraco nas rochas junto à Praia do Norte que no Inverno se enche de água.

A Nazaré, tal como desconfiávamos, revelou-se um ótimo destino para relaxar um pouco e passear bastante. A vila foi, nos anos 40, fotografada por Stanley Kubrick, um dos nossos realizadores favoritos. Esta mantém ainda várias tradições, felizmente preservadas, que envolvem os nazarenos e ajudam a manter esta vila tão autêntica.

Percebemos que em Julho e Agosto a vila se enche de veraneantes que procuram as melhores praias portuguesas. Se procura a calma que nós encontrámos, será melhor visitar a Nazaré noutra época do ano. Independentemente de quando a visitar, haverá sempre muito para fazer nesta vila do atlântico.

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