O nosso Portugal tem tantos sítios bons para conhecer, que às vezes o difícil é escolher. Desta vez, depois de muito pesquisar, e considerando que queríamos passar o fim-de-semana num sítio calmo, onde desse para relaxar, começámos por escolher um hotel com spa: o Hotel Parque Serra da Lousã, em Miranda do Corvo. Mal imaginávamos quão rico ia ser este fim-de-semana.

Logo à entrada do hotel fomos muito bem recebidos pela Andreia. Ela deu-nos informação sobre como funciona o hotel e o spa, restaurantes onde podíamos comer e o que podíamos visitar ali à volta.

A caminho do nosso quarto, apercebemo-nos de um pormenor engraçado: todos os quartos têm o nome de uma figura mitológica grega. O nosso era o Hélio, a representação divina do Sol. E luz era o que não faltava no quarto: uma grande janela dava acesso a uma varanda, de onde se via a Serra.

Mente sã em corpo são

Depois de nos instalarmos, fomos tratar logo de um assunto importante: experimentar o spa! Piscina interior, jacuzzi, sauna e banho turco, experimentámos tudo. Soube bem relaxar depois de uma semana intensa de trabalho.

Nota: No nosso caso fomos a Miranda do Corvo no Inverno. Mas para quem vai em meses mais quentes, a Piscina Municipal da Quinta da Paiva, que é exterior, está a dois passos do hotel, para quem queira usufruir de banhos ao ar livre.

Uma refeição memorável

O fim do dia estava a aproximar-se. Depois de descansarmos um pouco no quarto fomos tratar de aconchegar o estômago: caminhámos até ao restaurante do hotel, o Museu da Chanfana, onde íamos jantar. O próprio nome do restaurante indicava aquilo porque já andávamos a salivar. E não saímos de lá desiludidos.

Com a ajuda do Sr. Carlos escolhemos para jantar alguns dos pratos mais típicos da região. Para começar, experimentámos a Sopa de Casamento. Esta sopa leva pão, bocados de carne e molho de Chanfana. É tão consistente que pode ser uma refeição completa! Mas o que nós queríamos mesmo comer era Chanfana. Já tínhamos saudades deste prato, típico desta região, feito com carne de cabra velha. Por isso veio uma dose para um de nós, e para o outro uma dose de Negalhos – tal como a sopa, também não conhecíamos este prato.

Os Negalhos são bocados de estômago de cabra cosidos de forma a ficarem tipo bola, dentro da qual é colocada tripa de cabra aos pedacinhos. O sabor é semelhante ao da Chanfana, forte e delicioso. A textura é que é bem diferente. Um pouco mais viscosa. Para mim, que adoro tripas/ dobrada, é perfeito! A Chanfana, essa, estava de comer e chorar por mais. A carne estava tenra e muito saborosa.

Para terminar em beleza, provámos uma sobremesa também típica de Miranda do Corvo: a Nabada. Um doce feito à base de nabo e açúcar, criado em tempos por monjas do Mosteiro de Santa Maria de Semide, ali perto. Provámos e aprovámos.

Nabada Miranda do Corvo
Nabada

Como se pode imaginar, depois de tão prazeirosa refeição, regada com delicioso vinho, fomos praticamente a rebolar para o hotel.

Um Parque com habitantes especiais

A manhã seguinte trouxe sol, prometia ser um bom dia de passeio. Considerámos ir visitar uma aldeia de xisto ali próxima, mas acabámos por concluir que o tempo ficava apertado, considerando as outras coisas que queríamos conhecer. Na verdade, numa outra escapadinha que fizemos, em que ficámos na Lousã, tínhamos visitado algumas das mais belas aldeias de xisto desta Serra da Lousã – um roteiro que sem dúvida recomendamos, espreite-o aqui.

A nossa prioridade desta vez foi explorar o Parque Biológico da Serra da Lousã. Um Parque que não sabíamos que existia e que nos deixou maravilhados. Vimos linces, lobos, aves de rápida, cabritinhos, lamas – que nos recordaram a nossa viagem à América do Sul -, entre muitos outros animais selvagens. Na zona da Quinta Pedagógica, alimentámos cabras, galinhas e ovelhas com comida própria que comprámos à entrada.

Este Parque Biológico realiza um trabalho de grande valor, procurando consciencializar todos os que o visitam para a importância da conservação da Natureza e, especificamente, da fauna que dela faz parte. É também um espaço de inclusão e integração, onde a maioria dos colaboradores são pessoas com deficiência ou doença mental.

Um Templo para todos

Deixámos o Parque e fomos à descoberta do Templo Ecuménico Universalista, a intrigante pirâmide de Miranda do Corvo. Como já era meio da tarde tivemos de ir de carro, mas existe um percurso pedonal que liga o Parque Biológico ao Templo – que nos disseram que sobe bastante, e que por isso pode tornar-se difícil.

Seguimos as indicações que nos deram no hotel e a determinada altura tivemos de recorrer ao GPS. Acabou por ser uma verdadeira aventura chegar até lá.

Na estrada principal o GPS mandou-nos para uma estrada de terra batida que subia. Tinham-nos dito que a estrada podia ter alguns buracos, pelo que não estranhámos os que vimos logo ao início. Mas o que encontrámos, um atrás do outro, não eram só buracos, mas sim verdadeiras crateras. Ficámos com medo que o carro se enfiasse por uma adentro e não saísse mais de lá.

Não foi fácil chegar ao topo da colina, onde está o Templo, mas conseguimos. E valeu a pena. Passámos pela bilheteira e fomos à descoberta, enquanto ainda havia luz do dia. Éramos praticamente os únicos ali e reinava o silêncio.

Mas afinal, O que é o Templo Ecuménico Universalista?

Este é um Templo especial: é aberto a qualquer pessoa, a todas a formas de espiritualidade e religiões. Inclui um edifício em forma de pirâmide e um espaço exterior à sua volta. Aqui, há vários caminhos que se pode percorrer, ao longo dos quais se encontram vários símbolos, ligados a religiões mas não só.

Depois de explorarmos o exterior, entrámos na pirâmide, começando logo por entrar para o círculo sagrado: um grande espaço circular e abobadado, com uma estrela de nove pontas no topo, de onde cai um fio de prumo. No centro deste espaço está uma grande pedra de granito com as mesmas dimensões da Arca da Aliança e, sobre ela, uma rocha bruta da natureza, cujo simbolismo cada um interpreta à sua maneira. É uma sala para cada um orar ou meditar à sua maneira.

Templo Ecuménico Universalista Miranda do Corvo

Fora deste espaço central, ainda dentro da pirâmide, encontram-se muitas imagens e informação sobre as diferentes “religiões” existentes no mundo: Hinduísmo, Xintoísmo, Jainismo, Budismo, Confucionismo, Taoísmo, Siquismo, Religiões dos Orixás, Paganismo, Judaísmo, Zoroastrismo, Cristianismo, Islão, Fé Bahá’í e Ateísmo. Foi muito interessante ver em que zonas do mundo cada uma tem maior influência, por exemplo.

Um regresso tranquilo

Depois destes momentos de calma e reflexão, foi hora de regressar. Já era quase de noite. No caminho de volta descobrimos que afinal a estrada de terra por onde devíamos ter vindo era mais à frente, junto a Fraldeu, uma estrada em muito melhor estado. Foi por aí que regressámos, sem sobressaltos.

Para conhecer numa próxima visita a Miranda do Corvo fica a aldeia de xisto de Gondramaz, que nos foi recomendada e que fica a cerca de 6 km da vila.

Não se esqueça também de visitar a Loja do Sr. Falcão, localizada não muito longe de Gondramaz. Foi fundada em 1878 pelo Sr. Lourenço Falcão e é uma das lojas mais antigas do país em atividade.

Onde comer

Para além do Museu da Chanfana, recomendaram-nos outros dois restaurantes, localizados no centro da vila de Miranda do Corvo:

  • Estação de Sabores – experimentámos este. Vimos tantas espetadas nas outras mesas que também quisemos uma. Pena que já tinham acabado… Acabámos por partilhar um delicioso bife;
  • Parreirinha – disseram-nos que é um restaurante de comida mais tradicional, uma boa opção para comer por exemplo a típica Chanfana.

Quer seja para descansar, refletir ou para descobrir, Miranda do Corvo é uma ótima opção para uma escapadinha.

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