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[Roteiro] Pelas Aldeias de Xisto da Serra da Lousã

Os dias de chuva da última semana lembram-nos a nossa escapadinha à Lousã, no início de 2017. E a verdade é que são muitas as coisas para ver e fazer na Lousã. Hoje escrevemos sobre um passeio por algumas das Aldeias de Xisto da Serra da Lousã.

É um roteiro que facilmente se faz num dia e que tem os seus encantos, independentemente da época do ano. O terreno é montanhoso, pelo que o ideal é ir de carro ou, em alternativa, recorrer a uma das empresas de animação turística locais. No centro da Vila existe o Welcome Center das Aldeias de Xisto (fica no Ecomuseu da Serra da Lousã) que se pode visitar para obter mais informações sobre as aldeias e locais a visitar.

Começámos por deixar o centro da vila da Lousã, onde estávamos alojados do Palácio da Lousã Boutique Hotel.

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Seguindo as sinalizações existentes para as “Aldeias de Xisto”, rapidamente começámos a subir a Serra da Lousã. O primeiro destino foi a pequena aldeia de Chiqueiro. Mas houve ainda tempo para uma pequena paragem para admirar a bela vista sobre a Lousã e arredores.

Aldeias de Xisto da Lousã

A aldeia de Chiqueiro hoje em dia é habitada apenas por uma família e visita-se num instante. Como não foi possível visitar a Capela da Senhora da Guia (o único edifício que não é construído em xisto), rapidamente deixámos a aldeia de xisto escuro e fomos em direção à aldeia seguinte: Casal Novo.

Aldeias de Xisto da Lousã, Chiqueiro

A aldeia de Casal Novo é maior do que a anterior, mas a sua dimensão quase que passa despercebida da estrada de acesso, pelo facto de estar construída na encosta e muito próxima da floresta. Descemos até à Eira onde eram trabalhados os cereais e ganhámos fôlego para regressar à zona de estacionamento, subindo encosta acima.

Voltámos à estrada e, com algumas paragens para apreciar a bonita floresta, vagueámos pelos montes até uma das mais bonitas e conhecidas aldeias de xisto. O Talasnal.

O Talasnal é a “aldeia postal” da Serra da Lousã. Em 2016 foi um dos cenários da série televisiva Mata Hari e é talvez a aldeia mais bem conservada do núcleo de aldeias de xisto da Serra da Lousã.

Aldeias de Xisto da Lousã, Talasnal

Vale a pena reservar algum tempo para passear pelas suas ruelas e contemplar os pormenores característicos que aqui se observam tão bem.

O Talasnal é também um bom sítio para almoçar e recarregar baterias. Sugeriram-nos o cabrito com castanhas do restaurante Ti Lena, nome dado em homenagem aos últimos habitantes primitivos da aldeia (a Ti Lena e o Ti Manel). Felizmente as pessoas voltaram à aldeia, que hoje está quase totalmente restaurada. Estivemos no restaurante Ti Lena e falámos com a proprietária, que nos mostrou orgulhosa a típica sala de almoços. Infelizmente não tínhamos reserva e foi impossível almoçar por lá, a lotação estava esgotada. Fica a dica para reservarem com a devida antecedência… A alternativa foi piquenicar o que tínhamos connosco e aproveitar para recarregar baterias.

A aldeia seguinte deveria ter sido o Candal, mas a nossa curiosidade histórica acabou por levar a melhor e fizemos um desvio ao roteiro de cerca de 25 km, por estradas que nem sempre estavam em muito bom estado. Deixamos esta etapa como opção. Rumámos a Santo António da Neve, já na freguesia do Coentral e na fronteira entre os distritos de Coimbra e Leiria. Subimos por estradas castigadas pelos elementos, por entre florestas e torres eólicas, para ver o que resta dos Neveiros Reais e da Capela de Santo António.

Aldeias de Xisto da Lousã, Capela de Santo António da Neve

No séc. XVIII, era nos neveiros, edifícios circulares, que era preparado gelo para enviar para a corte portuguesa, em Lisboa, usar durante o Verão. No Inverno as neves eram arrastadas para poços dentro dos neveiros e calcadas para formar gelo. No Verão os blocos de gelo eram cortados, envoltos em palha e transportados em carros de bois até Constância, onde eram depois transportados pelo Rio Tejo até à capital. Mesmo junto à Capela de Santo António existe ainda um neveiro em muito bom estado que nos faz recordar a forma engenhosa como as gentes destas paragens ganhavam a vida.

Aldeias de Xisto da Lousã, Neveiros Reais

Descemos pelo mesmo caminho que tínhamos subido e continuámos sempre pela EN236 em direção ao Candal, uma das minhas aldeias de xisto favoritas. A aldeia reparte-se por duas encostas separadas pela Ribeira de S. João. Nem todas as suas casas são construídas em xisto, fruto de algum desenvolvimento que aqui foi chegando por a aldeia ser atravessada por uma estrada nacional. O Candal tem uma atmosfera muito própria e foi a aldeia onde mais sentimos a ligação com a água.

Aldeias de Xisto da Lousã, Candal

Esta aldeia possui alguns pormenores interessantes e um miradouro no cimo da encosta norte para quem se atrever a fazer a subida. Junto à ponte há um pequeno café/loja onde se pode comer talaniscos (doce regional criado ali perto, no Talasnal).

Continuámos pela EN236 em direção à Lousã. Uma bifurcação para uma estreita e íngreme estrada indicou-nos uma última aldeia de xisto a visitar neste nosso roteiro, a Cerdeira. Estacionámos o carro quando o caminho já não nos deixava prosseguir e contemplámos a aldeia da Cerdeira escondida por entre as árvores.

Aldeias de Xisto da Lousã, Cerdeira

Esta aldeia está a ser alvo de um projeto de renovação muito interessante que envolve alojamento, workshops e residências artísticas. Pode valer a pena a consulta da programação no site da Cerdeira village. A aldeia tem muitos pequenos recantos e caminhos estreitos para descobrir, onde as cores do xisto mais claro se misturam com o colorido dos telhados, portas e janelas. Encontrámos um pequeno café que infelizmente estava fechado, o que foi uma pena, pois que bom que deve ser uma bebida quente neste ambiente inspirador.

Com o entardecer rapidamente a luz do dia começou a desaparecer e foi tempo de regressarmos à Lousã, em busca das tão esperadas bebidas reconfortantes.

Como tem vindo a ser hábito deixamos um mapa para vos ajudar a traçar o melhor percurso. O ponto de partida é o Welcome Center das aldeias de Xisto e o de chegada o centro da Lousã.

Ao adquirir serviços através das ligações abaixo, não terá qualquer custo adicional e estará a ajudar o explorandar a crescer: Alojamento Booking | Alojamento Airbnb | Seguro de Viagem World Nomads. O nosso muito obrigado!

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1 Comment

  1. Lúcia Helena

    Eu fiz esse passeio de carro em um dia com a nossa amiga querida, Dadá, e seu irmão simpático, o Jorge. Mas não cheguei a ir tão longe quanto foram. E também, como estava muito calor, quisemos voltar correndo para o balneário que fica mesmo colado à Lousã, que agora não lembro o nome, mas tem uma piscina natural geladinha e muito agradável. Eu adorei e também recomendo.
    Beijos Diana e Rei

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