[Roteiro] Pelas Aldeias de Xisto da Serra da Lousã

Em dias de chuva lembramo-nos muitas vezes da nossa escapadinha à Lousã, em pleno Inverno. A verdade é que são muitas as coisas para ver e fazer por lá. Hoje escrevemos sobre um passeio por algumas das Aldeias de Xisto da Serra da Lousã.

É um roteiro que facilmente se faz num dia e que tem os seus encantos, independentemente da época do ano. O terreno é montanhoso, pelo que o ideal é ir de carro ou, em alternativa, recorrer a uma das empresas de animação turística locais. No centro da vila existe o Welcome Center das Aldeias de Xisto (que fica no Ecomuseu da Serra da Lousã) onde se pode obter mais informações sobre as aldeias e locais a visitar.

Começámos por deixar o centro da vila da Lousã, onde estávamos alojados no Palácio da Lousã Boutique Hotel. Este é um antigo palácio transformado em hotel, que recomendamos.

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Uma subida com vista e algumas surpresas

Seguindo as sinalizações existentes para as “Aldeias de Xisto”, rapidamente começámos a subir a Serra da Lousã. O primeiro destino foi a pequena aldeia de Chiqueiro. Mas houve ainda tempo para uma pequena paragem para admirar a bela vista.

Aldeias de Xisto da Lousã

Uma das coisas às quais aconselhamos a manter um olhar atento é às intervenções do “Isto é Lousã”, sendo o mais conhecido o Baloiço do Trevim.

Aldeia de Chiqueiro

A aldeia de Chiqueiro hoje em dia é habitada apenas por uma família e visita-se num instante. Tem um único edifício que não é construído em xisto: a Capela da Senhora da Guia. Após um breve passeio deixámos a aldeia de xisto escuro e fomos em direção à aldeia seguinte: Casal Novo.

Aldeias de Xisto da Lousã, Chiqueiro
Aldeia de Casal Novo

A aldeia de Casal Novo é maior do que a anterior. No entanto a sua dimensão quase que passa despercebida da estrada de acesso por estar construída na encosta e muito próxima da floresta. Descemos até à Eira onde eram trabalhados os cereais e ganhámos fôlego para regressar à zona de estacionamento, subindo encosta acima.

Aldeia do Talasnal

Voltámos à estrada e, com algumas paragens para apreciar a bonita floresta, vagueámos pelos montes até uma das mais bonitas e conhecidas aldeias de xisto: o Talasnal.

O Talasnal é a “aldeia postal” da Serra da Lousã. Em 2016 foi um dos cenários da série televisiva Mata Hari. É talvez a aldeia mais bem conservada do núcleo de aldeias de xisto da Serra da Lousã.

Aldeias de Xisto da Lousã, Talasnal

Vale a pena reservar algum tempo para passear pelas suas ruelas. É delicioso contemplar os pormenores característicos deste tipo de construção que aqui se observam tão bem.

Talasnal rima com almoço fenomenal

O Talasnal é também um bom sítio para almoçar e recarregar baterias. Sugeriram-nos o cabrito com castanhas do restaurante Ti Lena, nome dado em homenagem aos últimos habitantes primitivos da aldeia (a Ti Lena e o Ti Manel). Felizmente as pessoas voltaram à aldeia, que hoje está quase totalmente restaurada. Estivemos no restaurante Ti Lena e falámos com a proprietária, que nos mostrou orgulhosa a típica sala de almoços. Infelizmente não tínhamos reserva e foi impossível almoçar por lá, a lotação estava esgotada. Fica a dica para reservarem com a devida antecedência… A alternativa foi piquenicar o que tínhamos connosco e aproveitar para recarregar baterias.

Os neveiros reais e a Capela de Sto. António

A aldeia seguinte deveria ter sido o Candal, mas a nossa curiosidade histórica acabou por levar a melhor. Fizemos um desvio ao roteiro de cerca de 25 km, por estradas que nem sempre estavam em muito bom estado. Deixamos esta etapa como opção. Rumámos a Santo António da Neve, já na freguesia do Coentral e na fronteira entre os distritos de Coimbra e Leiria. Subimos por estradas castigadas pelos elementos, por entre florestas e torres eólicas, para ver o que resta dos Neveiros Reais e da Capela de Santo António.

Aldeias de Xisto da Lousã, Capela de Santo António da Neve

No séc. XVIII, era nos neveiros, edifícios circulares, onde era preparado gelo. Este gelo era depois enviado para a corte portuguesa, em Lisboa, usar durante o Verão. No Inverno a neve era arrastada para poços dentro dos neveiros e calcada para formar gelo. No Verão os blocos de gelo eram cortados, envoltos em palha e transportados em carros de bois até Constância. Depois eram transportados de barco pelo Rio Tejo até à capital. Junto à Capela de Santo António existe um neveiro em muito bom estado. Este faz-nos recordar a forma engenhosa como as gentes destas paragens ganhavam a vida.

Aldeias de Xisto da Lousã, Neveiros Reais
Aldeia do Candal

Descemos pelo mesmo caminho que tínhamos subido e continuámos sempre pela EN236 em direção ao Candal, uma das minhas aldeias de xisto favoritas. A aldeia reparte-se por duas encostas separadas pela Ribeira de S. João. Nem todas as suas casas são construídas em xisto, fruto de algum desenvolvimento que aqui foi chegando por a aldeia ser atravessada por uma estrada nacional. O Candal tem uma atmosfera muito própria e foi a aldeia onde mais sentimos a ligação com a água.

Aldeias de Xisto da Lousã, Candal

Esta aldeia possui alguns pormenores interessantes e um miradouro no cimo da encosta norte para quem se atrever a fazer a subida. Junto à ponte há um pequeno café/loja onde se pode comer talaniscos (doce regional criado ali perto, no Talasnal).

Aldeia de Cerdeira

Continuámos pela EN236 em direção à Lousã. Uma bifurcação para uma estreita e íngreme estrada indicou-nos uma última aldeia de xisto a visitar neste nosso roteiro, a Cerdeira. Estacionámos o carro quando o caminho já não nos deixava prosseguir e contemplámos a aldeia da Cerdeira escondida por entre as árvores.

Aldeias de Xisto da Lousã, Cerdeira

Esta aldeia está a ser alvo de um projeto de renovação muito interessante que envolve alojamento, workshops e residências artísticas. Vale a pena consultar a programação no site da Cerdeira village. A aldeia tem muitos pequenos recantos e caminhos estreitos para descobrir, onde as cores do xisto mais claro se misturam com o colorido dos telhados, portas e janelas. Encontrámos um pequeno café que infelizmente estava fechado, o que foi uma pena, pois que bom que deve ser uma bebida quente neste ambiente inspirador.

Regresso à Lousã

Com o entardecer, rapidamente a luz do dia começou a desaparecer e foi tempo de regressarmos à Lousã, em busca das tão esperadas bebidas reconfortantes.

Como tem vindo a ser hábito deixamos um mapa para vos ajudar a traçar o melhor percurso. O ponto de partida é o Welcome Center das aldeias de Xisto e o de chegada o centro da Lousã.

Ao adquirir serviços através das ligações abaixo, não terá qualquer custo adicional e estará a ajudar o explorandar a crescer: Alojamento Booking | Alojamento Airbnb | Seguro de Viagem World Nomads. O nosso muito obrigado!

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1 Comment

  1. Lúcia Helena

    Eu fiz esse passeio de carro em um dia com a nossa amiga querida, Dadá, e seu irmão simpático, o Jorge. Mas não cheguei a ir tão longe quanto foram. E também, como estava muito calor, quisemos voltar correndo para o balneário que fica mesmo colado à Lousã, que agora não lembro o nome, mas tem uma piscina natural geladinha e muito agradável. Eu adorei e também recomendo.
    Beijos Diana e Rei

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