Uma das maiores surpresas da nossa visita a Malta foi sem dúvida a Ilha de Gozo. Hoje descrevemos um pouco mais do que visitámos e mostramos aquele que consideramos o melhor percurso para visitar a ilha.

Uma alteração de planos para começar o dia

O nosso dia começou mais tarde, fruto de uma alteração ao nosso plano de viagem. No nosso ambicioso plano tínhamos guardado este dia para visitar as ilhas mais pequenas do Arquipélago Maltês, Comino e Gozo. Mas o mau tempo ao início da manhã e a impossibilidade de mergulhar na Lagoa Azul, em Comino, mudaria os nossos planos. Em alternativa a Comino aproveitámos uma parte da manhã para retemperar as energias e ganhámos algumas horas para explorar Gozo.

A viagem de ferry para Gozo

Ao final da manhã, fomos no nosso carro alugado até à parte norte da Ilha de Malta, até ao Terminal de Cirkewwa, onde se apanha o ferry para a Ilha de Gozo. O terminal fica perto da Praia de Paradise Bay – se estiverem para aí virados podem aproveitar para conhecer um pouco melhor esta área. Seguindo as sinalizações existentes é relativamente intuitivo chegar à fila para a porta de embarque do terminal de ferry. Depois é só aguardar. Descobrimos que para quem viaja de carro, apenas se paga na viagem de regresso, pelo que não foi preciso mais do que aguardar na fila, esperar pela chegada do barco e depois seguir as orientações da tripulação para embarcar.

 Terminal de Cirkewwa

Para nós o embarque foi toda uma experiência nova. Depois de estacionado o carro dentro do ferry, todas as pessoas têm de abandonar o piso do estacionamento dos automóveis. A viagem foi rápida mas deu para explorar o barco e até para apreciar a vista sobre a ilha de Comino, que nos tinha escapado para uma próxima viagem. Ao chegar a Gozo é impossível não ficar deliciado com a vista para Cidadela de Victoria, que se encontra no topo da Ilha.

Os Templos Megalíticos de Ġgantija

Após desembarcar, rumámos ao nosso primeiro destino, as ruínas megalíticas de Ġgantija. Aqui encontram-se dois dos seis Templos Megalíticos de Malta, classificados desde 1980 como Património Mundial da UNESCO.
Ġgantija significa “Torre dos Gigantes”. É aqui que podemos encontrar os mais antigos templos megalíticos de Malta, construídos entre 3600 e 3200 a.C.. A entrada do museu pode ser difícil de encontrar para quem está de carro, mas a visita é interessante. Logo no início podem ver-se no pequeno museu várias peças, entre as quais esculturas, descobertas nas escavações junto aos templos. Aproveitámos a zona ajardinada ao ar livre, onde se encontram os templos, para almoçar as nossas sandes de presunto italiano, enquanto apreciávamos a vista sobre o vale central da Ilha de Gozo.

Ġgantija

Apesar da visita aos templos ser interessante, o preço do bilhete (9€/pessoa) parece alto, tendo em conta a dimensão do que há para ver. No entanto descobrimos que estava incluído no bilhete a entrada num velho moinho de vento – Ta’Kola. Este encontra-se a uma centena de metros da entrada dos templos e, talvez por isso, parece ser ignorado pela maioria dos turistas que por ali passa.

O moinho de vento foi uma surpresa para nós. Apesar da sua simplicidade ajudou-nos a perceber a importância dos cereais e do pão na dieta maltesa. Algo que também já tínhamos testemunhado em La Valletta, ao provarmos a Ftira. Este pão maltês, tradicionalmente em forma de anel, foi classificado como património imaterial dada a sua importância cultural.

Ta'Kola
Uma vista digna de uma Odisseia

Depois de Ta’Kola e a uma distância muito próxima de carro, em ir-Ramla, encontra-se a Caverna de Calypso. Dizem que este seria o local descrito na Odisseia de Homero. Infelizmente, devido aos inúmeros visitantes, as formações rochosas tornaram-se instáveis e por isso já não é possível visitar a caverna. Contudo, é possível desfrutar da mesma vista no miradouro que existe mesmo ao lado e apreciar o mar azul, em dias de sol.

Caverna de Calypso
As salinas centenárias

Como o dia estava bonito decidimos desfrutar um pouco mais da costa e deixar a visita à Cidadela de Victoria mais para o final do dia. Seguimos pelas estradas, muitas vezes esburacadas, junto à costa até chegarmos às salinas.

Estas estruturas para produção de sal, escavadas na rocha de forma artesanal, têm mais de 350 anos. Mas há indícios de que a exploração de sal na região remonte ao tempo dos romanos. Vale a pena uma visita, pois são muito pitorescas. Próximo das salinas existem formações rochosas muito bonitas, nalgumas das quais foram escavadas cavernas, onde ainda hoje é guardado o sal que é extraído nos meses de verão. O sal de Gozo pode ser, por isso, um ótimo souvenir para trazer para alguém que, tal como nós, adora cozinhar. Existem por ali também piscinas naturais, ótimas para refrescar em dias de maior calor.

Salinas Goozo
Uma surpresa fora dos nossos planos: a Igreja de Ta’Pinu

Continuámos a nossa visita pelas maravilhas da costa de Gozo. Atravessámos a ilha na direção de onde outrora se encontrava uma das principais atrações de Malta, a Azure Window. Pelo meio fomos serpenteando a paisagem e parando para fotografar o que nos parecia mais interessante, como a Igreja de S. Filipe de Agira.

Encontrámos entretanto um lugar que nos chamou à atenção e que não estava no nosso plano de viagem. Estamos a falar do Santuário de Nossa Senhora de Ta’ Pinu. Um santuário enorme, num descampado, que nos surpreendeu e que fez valer a pena o pequeno desvio. A basílica imponente encontra-se totalmente restaurada e rodeada de campos de trigo. Descobrimos depois que se trata do principal local de peregrinação maltês. A entrada é gratuita.

Igreja de Ta'Pinu
Dwejra Bay e a Janela Azul que deixa saudades

Regressámos à estrada e, não muito longe dali, chegámos a Dwejra Bay, onde anteriormente podia ser observada a Azure Window. Uma formação rochosa
que era um dos símbolos de Malta e que, já frágil, colapsou em 2017. Apesar da janela azul já não existir, no mesmo local existem outros atrativos que, embora não sendo tão imponentes, valem uma passagem por ali. Estamos a falar do Blue Hole, o Inland Sea (pequeno braço de água que era usado pelos pescadores para aceder ao mar, através de uma gruta) e, um pouco mais afastados, a vista sobre duas rochas: Fungus Rock e Crocodile Rock. A Fungus Rock é particularmente interessante pela sua dimensão, mesmo junto a uma reentrância do mar.

fungus rock
A Cidadela de Victoria

Com o entardecer, é tempo de deixar esta zona e rumar finalmente à principal cidade de Gozo, Victoria. Deixámos o carro num grande parque de estacionamento junto à Rodoviária e caminhámos até à medina da cidade. Aqui, para além da cidadela que foi toda recuperada, existe uma imponente catedral (a Basílica de S. Jorge), naquela cor ocre que é tão característica deste país.

Medina Victoria

Depois de percorrer toda a medina, houve ainda oportunidade para provar o tradicional pastizzi, folhado típico com queijo ricotta e ervilhas. Há também outra versão muito interessante, apenas de queijo. A melhor parte é que comprámos cada um por 0.25€ (um achado!), numa banquinha na avenida que nos levava até ao terminal de autocarros.

pastizzi
Regresso à Ilha de Malta

Com o dia a terminar, regressámos ao porto para apanhar o ferry de regresso
à Ilha de Malta. Depois de pagarmos o bilhete numa espécie de portagem no porto, aguardámos pela hora de embarque. O ferry custou-nos 20,50 € pelo carro + condutor + 1 pessoa, ida e volta. Este ferry ia completamente cheio e nem todos os carros que estavam à espera conseguiram embarcar. Portanto fica o conselho: convém chegar um pouco mais cedo nas horas de ponta para garantir que não se espera muito tempo. No ferry existe um pequeno supermercado onde a Di enfeirou uma ampla quantidade de chocolates que se encontram sobretudo em países anglófonos. Era impossível deixar escapar esta oportunidade, fruto de Malta ser uma antiga colónia britânica.

ferry gozo

Depois da viagem, foi tempo de regressar ao nosso apartamento em St. Paul’s Bay e preparar o jantar. Foi um ótimo passeio e, como sempre, deixámos inúmeras coisas para ver numa próxima oportunidade (ver lista abaixo). Para a próxima, numa estadia mais prolongada, queremos pernoitar pelo menos uma noite em Gozo.

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Algumas coisas para explorarmos numa próxima oportunidade:
  • Ilha de Comino (e a sua Lagoa Azul)
  • Praia de Paradise Bay (junto ao terminal de Cirkewwa)
  • Praia de Ramla Bay
  • Falésia de Ta’ Ċenċ
  • Rotunda of Xewkija
  • Praias Hondoq ir-Rummien
  • Museu de Arqueologia de Gozo

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